sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Ryan McGinley

India (Coyote), 2010

O fotógrafo Ryan McGinley nasceu em 1977 em Ramsey, New Jersey. Em 2003, aos 26 anos de idade, foi o artista mais jovem a ter uma exposição individual no prestigioso Whitney Museum of American Art, em Nova York, onde ele atualmente reside.

Alex & Frog, 2010
Laura (Thunderstorm), 2007

O mais novo de oito irmãos, McGinley mudou-se para o East Village em 1998, onde fez amizade com skatistas, grafiteiros, músicos e artistas, e cobriu as paredes de seu apartamento com Polaroids de todos que iam à sua casa. A partir daí, virou uma espécie de retratista da juventude, mas com um diferença crucial que o afastou da maioria dos artistas de sua geração: ele não aceitou a imagem que as revistas de moda faziam de seus pares - aquela dos junkies esquálidos e depressivos, talvez por excesso de tempo livre e falta de propósitos. O que McGinley via em seus amigos era o oposto.

Tracy, Jasper, Julia, 2010
Mari, Janelle, Jonas, 2010

Em 2000, McGinley fez sua primeira exposição, e em 2002 publicou um livro de fotos independente intitulado "The Kids Are Alright" (título de uma música do The Who), que chegou às mãos de Sylvia Wolf, curadora de fotografia do Whitney, que não tardou a colocar as fotos do jovem artista nas paredes do museu.

Somewhere Place, 2011
Jake (Fall Foliage), 2011

Diz Wolf: "As pessoas se apaixonam pelo trabalho de McGinley porque ele fala de libertação e hedonismo. Onde Nan Goldin e Larry Clark falavam de coisas dolorosas e que geravam ansiedade sobre os jovens e o que acontece quando eles tomam drogas e fazem sexo num submundo urbano descontrolado, McGinley já começou afirmando que 'a moçada está bem'; o que é fantástico, e sugere que uma subcultura alegre e desembaraçada estava surgindo - se você soubesse onde procurá-la".

Midnight Flight, 2011
Jonas (Barn Snow Disco), 2008

Segundo o crítico Jeffrey Kluger, da Time Magazine, "A fotografia congela um instante no tempo; as imagens de McGinley congelam uma fase da vida. A juventude e a beleza são tão passageiras quanto um clique de uma câmera - e por isso mesmo merecem ser preservadas".


Ryan McGinley



Para acessar o site do fotógrafo, com fotografias de diversas séries, clique no link da barra ao lado

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Yigal Ozeri

Jana and Jessica in the field, óleo sobre papel, 106x152cm, 2009

Yigal Ozeri nasceu em Israel em 1958 e mora e trabalha há 20 anos em Nova York. Fazendo uma pintura hiper-realista, romântica, fortemente influenciada pelos pré-rafaelitas, mas, segundo ele, celebrando uma utopia atual, ele alcançou a fama por volta de 2005, e hoje goza de enorme prestígio no circuito nova-iorquino.

Jana in the field, óleo sobre papel, 152x106cm, 2009
Megan in the park, óleo sobre papel, 106x152cm, 2009

O trabalho de Ozeri passa por várias etapas. Na primeira, ele fotografa suas modelos - não profissionais, ele enfatiza. Por vezes, ele manipula a foto no Photoshop, melhorando contrates e cores. A seguir, ele imprime a imagem e a copia num papel, finalmente fazendo a pintura a óleo. Nesta última fase, por se tratar de pinturas hiper-realistas com muitas detalhes, ele usa dez assistentes, embora as partes mais difíceis - como rosto e cabelo -  ele mesmo pinte.

Priscilla in moss, óleo sobre papel, 152x106cm, 2008

Jessica in the park, óleo sobre papel, 106x152cm, 2009

Sobre o uso de assistentes, ele diz: "São assistentes como os renascentistas usavam. Van Eyck, Velásquez, Leonardo, Rubens - todos eles usavam assistentes. Eles eram como diretores. Vá ao Metropolitam Museum; o melhor quadro lá é aquele Van Eyck onde ele usou 25 assistentes. E é o melhor porque todos eles deram o seu melhor".

Jessica with vines, óleo sobre papel, 152x106cm, 2009

Jana and Jessica in the field, óleo sobre papel, 152x106cm, 2009

Sobre as acusações de seus detratores, que vêm em suas pinturas um romantismo antiquado, Ozeri disse: "Eu não tenho medo da palavra romantismo, e é isso que eu trago de volta à pintura. O mundo da arte é cheio de violência, de morte, de coisas repulsivas, e eu trago o romantismo de volta. Mostrar pessoas reais que moram na natureza, sem malícia, pessoas que não precisam de nada além de amor, isso é mais radical do que ir tirar fotos no Iraque."


Para ver mais alguns trabalhos (no site da Mike Moore Gallery), clique na barra de links ao lado.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Robert Mapplethorpe (1946-1989)

Autorretrato, 1985

Em postagem de 14 de julho último, sobre Fotografia Erótica, mencionei a polêmica gerada em 1989 pela exposição The Perfect Moment, do fotógrafo nova-iorquino Robert Mapplethorpe, quando congressistas norte-americanos criticaram o uso de dinheiro público para financiar uma arte que continha imagens pornográficas e sadomasoquistas. Essa foi a tônica da vida e do trabalho de Mappethorpe, um dos mais importantes fotógrafos americanos do século passado.

Lisa Lyon, 1981
Charles Bowman, Torso, 1980

Mapplethorpe, de família católica de origem inglesa e irlandesa, nasceu no Queens, em Nova York. Estudou Artes Plásticas no Pratt Institute do Brooklyn, com especialização em Artes Gráficas, mas não chegou a terminar o curso, abandonando a escola em 1969. A príncipio, ele criava trabalhos em técnica mista, em colagens que incluíam fotos retiradas de livros e revistas. Daí veio a decisão de comprar uma câmera Polaroid, em 1970, e fazer suas próprias fotos. Segundo ele, dessa forma ele se sentia "mais honesto".

Patti Smith, 1976
Deborah Harry, 1978

Em 1967, ele inicia um relacionamento de sete anos com a cantora Patti Smith, e após assumir-se gay, eles mantêm-se amigos até sua morte, em 1989. A Companhia das Letras lançou recentemente no Brasil o livro "Só Garotos" ("Just Kids") de Smith, onde ela relembra o seu relacionamento com o fotógrafo, e pelo qual ela ganhou o National Book Awards em 2010.

Calla Lily, 19787
Lisa with Scorpion, 1980

Em 1975, Mapplethorpe adquire uma câmera Hasselblad de médio formato, e começa a retratar o seu círculo de amigos: artistas, músicos, socialites, atores pornôs e membros de clubes sadomasoquistas. Ele também faz trabalhos comerciais, como capas de álbuns de Patti Smith e do grupo Television e ensaios para a revista Interview, criada por Andy Warhol.

Ken Moody and Robert Sherman, 1984

No final dos anos 70, ele se interessa cada vez mais pelo submundo do S&M, produzindo as tais imagens que chocaram os congressistas e parte do público americano. Disse Mapplethorpe: "Eu não gosto muito da palavra 'chocante'. Eu procuro o inesperado, eu procuro coisas que nunca vi. Eu me vi numa posição de tirar essas fotos, e me senti obrigado a fazê-lo".

Autorretrato, 1975

Durante os anos 80, sua reputação cresceu, com exposições em importantes museus ao redor do mundo. Dono de um estilo rigoroso, ele produziu séries que incluiram retratos de celebridades, nus masculinos e femininos, estudos de estátuas e flores, além de inúmeros autorretratos. Em 1986, foi diagnosticado com a AIDS. Em 1988, ganhou uma grande retrospectiva no Whitney Museum, vindo a morrer no ano seguinte.


Robert e Patti em 1969, em foto de Norman Seeff


Para acessar o site do Robert Mapplethorpe Foundation, clique no link na barra ao lado.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Museum Syndicate

Caravaggio, O Sacrificio de Isaac

Hoje eu gostaria de indicar um simpático site chamado Museum Syndicate, que possui mais de 54 mil imagens de obras de arte dividias em pintura, escultura e fotografia. Ha também sessões dedicadas a museus e países, assim como a objetos astecas e do Egito Antigo, por exemplo.

Jean-Auguste Dominique Ingres, Princesa Albert de Broglie

Na lista de pintores, há mais clássicos, como o barroco Caravaggio, o  neoclássico Ingres e o romântico  William Turner, que postei aqui, embora também seja possível ver algumas obras de artistas modernos e alguns contemporâneos - há até imagens do urban artist britânico Bansky!

William Turner, Regulus

Mas o mais interessante, embora um tanto pueril, confesso, que é possível escolher qualquer pintura, clicar em Jigsaw Puzzle - click here to play e a imagem se transforma num quebra-cabeça para você montar. É uma forma boa de passar o tempo, naqueles dias em que você está entediado até a medula. De quebra, você acaba vendo detalhes da pintura que haviam passado despercebidos à primeira vista.

Para acessar o Museum Syndicate, clique na barra de links ao lado

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Afogando em traduções

Andy Warhol e a musa trágica Edie Sedgwick que, segundo consta, foi a quem Bob Dylan se dirigiu ao escrever "Like a Rolling Stone"

Só passei aqui para me desculpar, porque desde o dia 20/10 eu não publico nenhuma postagem. É porque, nos últimos dias, estou traduzindo para quatro clientes ao mesmo tempo. Logo, logo voltarei a postar algo. Por ora, deixo apenas uma frase do grande Andy Warhol, para refletirmos um pouco sobre a loucura do mundo das artes:

"Não sei por que as pessoas dão tanto valor 
aos artistas. É um emprego como outro qualquer."
- Andy Warhol

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Asgar/Gabriel

Keine Sorge uns geths gut, óleo sobre tela, 220x450cm, 2007

No dia 2 de setembro último eu escrevi sobre a dupla Muntean & Rosenblum, e disse que conhecia poucas duplas de criadores nas artes plásticas (Gilbert & George, por exemplo). Mas eis que descubro outra dupla residente na Áustria, Asgar/Gabriel, que aparentemente pegou a ideia dos colegas e a levou ao extremo: mais cores, mais realismo, mais exagero, mas tendo como tema também uma visão crítica da adolescência.

I used to live in Arcadia, óleo sobre tela, 220x250cm, 2008


Daryoush Asgar nasceu em 1975 em Teerã. Durante a guerra Irã-Iraque, sua família migrou para a Áustria. De 1996 a 2000, ele estudou na Academia de Artes Plásticas de Viena. Exímio pintor realista, exibiu seus trabalhos em vários países, e em 2002 ganhou o Prêmio Strabag na Áustria.

Utopia, óleo sobre tela, 260x450cm, 2009

Elizabeth Gabriel nasceu em 1974 em Viena. De 1988 a 90, estudou piano na Academia de Música e Artes Performáticas. De 1994 a 2000, estudou Filosofia e Literatura na Universidade de Viena. Sua tese foi sobre a Teoria Estética de Adorno. Após se formar, trabalhou no teatro em Viena, Berlim e Bern, na Suíça. Eis aí outra similaridade com os colegas: Markus Muntean é austríaco e Adi Rosenblum é israelense.

Do you want to escape?, óleo sobre tela, 220x270cm, 2008

A dupla trabalha com o que chama de "historização do momento", com referências a pinturas barrocas e do Século 19 (que evoluiu do Romantismo para o Realismo), retratando uma geração que procura desesperadamente por novos mitos, "entre o êxtase e o pesadelo".

The dark is my delight, óleo sobre tela, 220x450cm, 2007
Die Leute schlafen schon, óleo sobre tela, 220x700cm, 2008

O processo criativo da dulpa começa com fotografias escolhidas aos montes na mídia impressa e na Internet, fotos que são compiladas, rearranjadas e trabalhadas digitalmente, antes de serem finalmente pintadas sobre a tela - geralmente de dimensões monumentais, algumas passando de sete metros de largura.

Kunst is Anarchie, óleo sobre tela, 300x760cm, 2011


Uma curiosidade: Asgar e Gabriel começaram sua parceria na década de 90, tocando numa banda de rock de garagem. Em 2002, eles se mudaram para Berlim, onde começaram a pintar, ficando lá durante três anos. Em 2005, mudaram-se para Viena, onde vivem e trabalham até hoje.

In den hohen Wellen unserer Abenteuer, óleo sobre tela, 270x380, 2010



Asgar/Gabriel


Para ver mais trabalhos, acesse o site da dupla na barra de links ao lado

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Vincent Desiderio

Boating Party, óleo sobre papel, 152x121cm, 2010

Vincent Desiderio nasceu em 1955 na Filadélfia, no estado da Pensilvânia, e segue a longa tradição dos pintores realistas norte-americanos. Formou-se em Artes Plásticas e História da Arte pelo Haverford College, depois estudando durante um ano na Accademia di Belle Arti, em Florença, na Itália.

Sink, óleo sobre papel, 121x162cm, 2010
Aftermath, óleo sobre papel, 20x25cm, 2009

Seus temas muitas vezes são estudos clássicos, onde parece apenas exibir técnica, mas por vezes o artista a alia a uma visão mais pessoal que gera obras mais interessante - em particular, uma certa obsessão com a morte.

My Father Fallen, óleo sobre papel, 33x40cm, 2009
Pigs, óleo sobre tela, 170x119cm, 2006

Desiderio participou das primeiras exposições coletivas em 1979, e sua última individual foi em 2011 na Marlborough Gallery, em Nova York, que o representa.

Mourning and Fecundity, óleo sobre tela, 246x375cm, 2007

Hanging Man, óleo sobre tela, 177x185cm, 2006


Para ver mais trabalhos de Vincent Desiderio (e outros artistas da Marlborough Gallery), clique na barra de links ao lado.