sexta-feira, 22 de julho de 2011

Lucian Freud (1922-2011)

Reflection (Self-Portrait), ost, 1985

Faleceu há dois dias, em Londres, o pintor Lucian Freud. Ele foi o último dos grandes pintores, ou dos pintores "puros" - apesar de um breve flerte com o surrealismo nas primeiras obras, passou incólume por todos os movimentos, modismos e tendências do Século XX, e se firmou, com persistência, sabedoria e calma, como um dos maiores artistas de todos os tempos.

Interior in Paddington, ost, 1951

Lucian Michael Freud nasceu em Belim, em 8 de dezembro de 1922, filho de pais judeus (o arquiteto Ernst Ludwig Freud e Lucie Brasch) e neto de Sigmund Freud. Em 1933, fugindo do nazismo, sua família se mudou para a Inglaterra, onde ele viria a fazer diversos cursos de arte e pintura. Freud ganhou a cidadania britânica em 1939, e serviu na marinha mercante em 1941, sendo dispensado por problemas de saúde em 1942.

Large Interior (After Watteau), ost, 1981-83

A partir da década de 50, ele começou a pintar retratos - sempre de pessoas próximas, sempre com o modelo presente em inúmeras sessões que podiam durar meses ou anos. Freud afirmava que essa proximidade e essa convivência faziam surgir na obra final aspectos do retratado que uma simples fotografia não poderia captar. Em suas pinturas não há ornamentos ou subterfúgios: o que se vê são pessoas despidas, literal e figurativamente. Em última análise, Lucian Freud foi um retratista da alma humana.

Naked Portrait Standing, ost, 1999-2000

Em 2010, o crítico de arte Martin Gayford publicou o livro "Man with a Blue Scarf: On Sitting for a Portrait by Lucian Freud", onde narra os 40 dias em que posou para que o artista fizesse o seu retrato. Gayford descreve Freud como um artista totalmente comprometido com a pintura: "Toda a minha paciência foi para o meu trabalho, não sobrando nada para a minha vida", disse. Nas sessões, o crítico se viu diante de um retratista atento aos mínimos detalhes, com um "olhar onívoro". No retrato em questão, como define o título, Gayford usava um lenço azul no pescoço. Certo dia, ele notou que Freud estava tendo dificuldades em acertar o azul do tecido. Ao chegar em casa, comentou o fato com a esposa, que respondeu: "Qual dos dois você estava usando?" Ele não sabia que tinha dois lenços azuis. Ao examiná-los na luz do dia, percebeu que um era meio tom mais claro.

Lucian Freud e Martin Gayford

Sobre o seu retrato, Gayford afirma: "Ele revela segredos - velhice, feúra, imperfeições - que, suponho, eu esteja escondendo do mundo". O grande pintor confirma: "Eu pinto pessoas não pelo que elas parecem ser, nem exatamente apesar do que elas parecem ser, mas pelo que elas de fato são". Após a morte de Francis Bacon, em 1992, e agora, de Freud, o mundo está órfão de grandes mestres da pintura.


Para ver mais obras, clique no link na barra ao lado.
Para assistir a uma rara entrevista com Lucian Freud, clique abaixo (sem legendas):

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Filmes sobre Pintores

Preparei uma lista com as principais cinebiografias de pintores famosos - das mais óbvias a algumas mais obscuras. Deixei de lado documentários, minisséries e filmes para TV e me concentrei em longa-metragens para o cinema. Os filmes estão em ordem cronológica crescente, do Rembrandt de Alexander Korda de 1936 ao Rembrandt de Peter Greenaway de 2007.


Rembrandt
Inglaterra, 1936
Diretor: Alexander Korda
O famoso ator inglês Charles Laughton interpreta o mestre holandês Rembrandt van Rijn no auge de sua fama, em 1642, quando sua adorada esposa morre e sua obra assume um tom sombrio e amargo que desagrada a seus patronos. O filme acompanha a decadência financeira e o ostracismo do pintor ao lado
da criada Hendrickje (Elsa Lanchester), com quem ele não pode se casar.


Moulin Rouge
Inglaterra, 1952
Diretor: John Huston
O filme acompanha a vida do pintor Henri de Toulouse-Lautrec e suas andanças pela noite parisiense. Filho de um conde, o artista francês sofre um acidente na infância que deforma suas pernas, provavelmente em decorrência de uma distrofia. Já adulto, passa a frequentar o Moulin Rouge, onde bebe conhaque e se envolve com prostitutas, que são retratadas em suas pinturas e cartazes, morrendo aos 36 anos de alcoolismo e sífilis. O ator José Ferrer interpreta o artista.


Sede de Viver (Lust for Life)
Estados Unidos, 1956
Diretor: Vincente Minnelli
Vincent Van Gogh é um prato cheio para qualquer cineasta: artista genial e trágico, obcecado por sua pintura, perturbado e incapaz de ter uma vida normal, que vive às custas do irmão Theo (James Donald). Kirk Douglas dá vida ao famoso holandês, que vende apenas um quadro em vida e tem pouquíssimos amigos, entre eles Paul Gauguin (Anthony Quinn, que ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante).


Os Amantes de Montparnasse 
(Les Amants de Montparnasse / Montparnasse 19)
França, Itália, 1958
Diretor: Jacques Becker
Gérard Philipe interpreta o trágico pintor italiano Amedeo Modigliani em seu último ano em Paris, em 1919 (ele morreria em janeiro de 1920). Modigliani é apresentado à estudante Jeanne Hébuterne (Anouk Aimée), de família conservadora, que não aprova seu relacionamento com o pintor pobre e alcóolatra. Jeanne, que estava prestes a dar à luz pela segunda vez, se suicida um dia após a morte do artista.


Agonia e Êxtase (The Agony and the Ecstasy)
Estados Unidos, Itália, 1965
Diretor: Carol Reed
Um verdadeiro clássico, com cinco indicações ao Oscar, o filme mostra o embate entre Michelangelo (Charlton Heston) e o Papa Júlio II (Rex Harrison), durante a pintura do teto da Capela Sistina. Baseado no romance de Irving Stone, que dividiu o roteiro do filme com Philip Dunne. Curiosidade: a Capela Sistina
não pôde ser usada para as filmagens e teve que ser reconstruída nos estúdios da Cinecittà em Roma.


Andrei Rublev, O Artista Maldito (Andrey Rublyov)
União Soviética, 1966
Diretor: Andrei Tarkovsky
O controverso diretor de "Solaris", "Stalker" e "O Sacrifício" filmou a vida de Andrei Rublev (1360-1430), considerado o maior pintor russo de ícones, afrescos e iluminuras, canonizado pela Igreja Ortodoxa Russa em 1988. Sendo Tarkovsky quem é, espere tudo menos uma narrativa convencional. O filme, apesar de ter sido apresentado em Cannes em 1969, só foi lançado sem cortes na União Soviética em 1971,
e é considerado por muitos uma obra-prima.


El Greco
Itália, França, Espanha, 1966
Diretor: Luciano Salce
Pelo cartaz ("O homem... a época... ambos pegando fogo... agora em filme!") já dá pra perceber que a obra não é das mais felizes. O ator norte-americano Mel Ferrer interpreta o famoso pintor renascentista, nascido Domenikos Theotokópoulos na ilha de Creta e falecido em Toledo, na Espanha. Uma nova cinebiografia do pintor, também intitulada "El Greco" e dirigida pelo grego Iannis Samaragdis, foi lançada em 2007.


 Excesso e Punição (Exzesse)
Alemanha Ocidental, França, Áustria, 1981
Diretor: Herbert Vesely
Cinebiografia não-linear do pintor austríaco Egon Schiele (1890-1918), famoso por seus retratos nus, considerado por muitos pornográficos e grotescos, chegando a ser preso em 1912 por supostamente seduzir uma menor de idade (no filme, interpretada por Karina Fallenstein). O alemão Mathieu Carrière (o Jan de "Malpertuis") interpreta Schiele, e Jane Birkin dá vida à sua companheira Wally.


Caravaggio
Inglaterra, 1986
Diretor: Derek Jarman
    O diretor inglês, morto em 1994 em decorrência da AIDS, faz um retrato apaixonado - e livre - do pintor italiano, o maior gênio do Barroco. Nigel Terry interpreta Caravaggio na idade adulta, quando participa de um triângulo amoroso entre Ranuccio (Sean Bean) e Lena (Tilda Swinton, em seu primeiro papel no cinema). Com belíssimas fotografia e direção de arte, ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim.


Gauguin, Um Lobo Atrás da Porta 
(Oviri / Gauguin, Le Loup Dans le Soleil)
Dinamarca, França, 1986
Diretor: Henning Carlsen
Donald Sutherland interpreta o francês Paul Gauguin. Após uma longa temporada no Taiti, o artista volta para Paris na esperança de ter sucesso com pintor. Ao mesmo tempo, precisa enfrentar a mulher, os filhos e sua ex-amante. Max Von Sydow faz o escritor sueco August Strindberg (que, em 1895, se recusou a escrever um texto de apresentação para uma exposição de Gauguin, chamando-o de "selvagem")


Van Gogh - Vida e Obra de um Gênio 
(Vincent & Theo)
Holanda, Inglaterra, França, Itália, Alemanha, 1990
Direção: Robert Altman
O título asinino dado pela distribuidora do filme no Brasil dá a impressão de se tratar de um documentário sobre o artista holandês, e não o que o filme é: um retrato intimista da relação entre Van Gogh e seu irmão, Theodore. Destaque para a estupenda interpretação de Tim Roth. Originalmente concebido como uma minissérie de quatro horas para a BBC.


Dalí
Espanha, Bulgária, 1991
Diretor: Antoni Ribas
Cinebiografia um tanto pobre do amalucado pintor surrealista Salvador Dalí, aqui interpreado por Lorenzo Quinn, filho do ilustre Anthony Quinn. O filme se concentra em seu relacionamento com Gala (Sarah Douglas), a temporada que passaram em Nova York, em 1940, e sua colaboração com o cineasta
Luis Buñuel. Vale apenas como curiosidade.


Van Gogh
França, 1991
Diretor: Maurice Pialat
O Diretor de "Sob o Sol de Satã" (Palma de Ouro em Cannes em 1987) registra os últimos 67 dias de vida do pintor holandês, quando ele se muda para Auvers-sur-Oise, cercanias de Paris, para se tratar com
o Dr. Gachet. Jacques Dutronc ganhou o Prêmio César de melhor ator de 1992 por sua interpretação,
das onze indicações que o filme recebeu.


Carrington - Dias de Paixão (Carrington)
Inglaterra, França, 1995
Diretor: Christopher Hampton
O roteirista e diretor bissexto Hampton criou uma belíssima obra, que se concentra no relacionamento platônico e conturbado entre a pintora Dora Carrington e o escritor Lytton Strachey na Inglaterra vitoriana (ambos eram do grupo Bloomsbury, do qual fazia parte Virginia Woolf). Emma Thompson e Jonathan Pryce têm atuações impecáveis. Hampton ganhou o Grande Prêmio do Júri (concorria à Palma de Ouro) e Pryce,
o de Melhor Ator em Cannes de 1995.


Basquiat - Traços de uma Vida (Basquiat)
Estados Unidos, 1996
Diretor: Julian Schnabel
Filme de estreia do renomado pintor norte-americano Julian Schnabel (que viria a fazer também os ótimos "Antes do Anoitecer" e "O Escafandro e a Borboleta"). O filme mostra a curta trajetória do pintor neo-expressionista Jean-Michel Basquiat (1960-1988), que começou pintando grafitis nas ruas de Nova York até alcançar fama mundial, vindo a morrer de overdose de heroína aos 27 anos. Uma curiosidade
do filme é David Bowie no papel de Andy Warhol, seu "descobridor".


Os Amores de Picasso (Surviving Picasso)
Estados Unidos, 1996
Diretor: James Ivory
Baseado no livro de Arianna Huffington, co-roteirista do filme, trata-se das memórias de Françoise Gilot, uma das mulheres de Picasso, com quem teve dois filhos (Claude e Paloma). O título em inglês define o dilema de Gilot: como sobreviver a Picasso, um homem genial e genioso, encantador e infiel, generoso e dominador? Anthony Hopkins é sempre um bom ator, mas um Picasso falando inglês com sotaque britânico
é difícil de engolir. Com Natascha McElhone e Julianne Moore.



Artemisia
Itália, França, Alemanha, 1997
Diretora: Agnès Merlet
Artemisia Gentileschi (1593-1652) foi uma pintora barroca italiana, a primeira mulher a ingressar na Accadema di Arte del Disegno de Florença. Filha do pintor Orazio Gentileschi, é enviada para estudar com o mestre Agostino Tassi, a quem depois acusa de estuprá-la, num longo e penoso julgamento.
Indicado para o Globo de Ouro de 1998 como Melhor Filme Estrangeiro.


Lautrec
Espanha, França, 1998
Diretor: Roger Planchon
Diferente da cinebiografia de John Huston, que mostra as noitadas do pintor francês no Moulin Rouge,
o filme se concentra no próprio Lautrec (Régis Royer), principalmente em seu relacionamento com sua modelo Suzanne (Elsa Zylberstein). A cuidadosa reconstituição da época rendeu dois prêmios César (Figurino e Desenho de Produção) e Royeur ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Mar del Plata.


Love Is the Devil: Study for a Portrait of Francis Bacon
Inglaterra, França, Japão, 1998
Diretor: John Maybury
A tensão sexual latente nos quadros de Francis Bacon (1909-1992) é explorada neste filme, que se concentra no relacionamento do pintor britânico com George Dyer (interpretado por um então desconhecido Daniel Craig), 30 anos mais jovem. A semelhança física do ator inglês Derek Jacobi com Bacon é um achado. Os herdeiros do artista não autorizaram que nenhuma obra fosse mostrada. Como narrativa, está mais próximo do Caravaggio de Jarman do que de cinebiografias mais convencionais.


Goya (Goya en Burdeos)
Espanha, Itália, 1999
Diretor: Carlos Saura
Saura capta a fase final da carreira do mestre espanhol Francisco de Goya (1746-1828), durante o seu exílio voluntário em Bordeaux, na França. A fotografia de Vittorio Storaro (vencedor de três Oscar) é garantia de imagens esplendorosas, além dos "quadros vivos" interpretados pelo grupo La Fura dels Baus. Curiosamente, Franciso Rabal ganhou o Prêmio Goya (o mais importante da Espanha) pela sua interpretação.


Pollock
Estados Unidos, 2000
Diretor: Ed Harris
Verdadeiro tour de force de Ed Harris, que produziu, dirigiu e protagonizou a cinebiografia do pintor americano. Seu fascínio por Jackson Pollock (1912-1956) começou simplesmente porque seu pai lhe comprou um livro do pintor por achar que eles se pareciam. Lee Krasner, esposa do pintor, é interpretada com intensidade por Marcia Gay Harden, o que lhe rendeu um Oscar de Atriz Coadjuvante.


Frida
Estados Unidos, Canadá, México, 2002
Diretora: Julie Taymor
Projeto acalentado durante anos por Salma Hayek (que o produziu e protagonizou), o filme se concentra, como não poderia deixar de ser, no relacionamento conturbado de Frida Kahlo (1907-1954) com o pintor e muralista Diego Rivera (Alfred Molina), além dos flertes com gente da estatura de Leon Trotsky (Geoffrey Rush) e seu sofrimento físico. Ashley Judd tem uma participação luminosa como Tina Modotti.


Moça com Brinco de Pérola
(Girl with a Pearl Earring)
Inglaterra, Luxemburgo, 2003
Diretor: Peter Webber
O grande mérito dos roteiristas e do diretor foi fazer um filme com quase nada, pois pouco se sabe sobre a vida do pintor holandês Johannes Vermeer (1632-1675). O roteiro foi baseado na história, basicamente fictícia, da escritora Tracy Chevalier. Colin Firth e Scarlett Johansson se esforçam para dar algum estofo ao filme que se sustenta principalmente na bela fotografia e na direção de arte.


Rumo ao Paraíso (Paradise Found)
Austrália, Inglaterra, França, Alemanha, 2003
Diretor: Mario Andreacchio
Cinebiografia de Paul Gauguin (1848-1903), que abandonou uma carreira sólida como corretor em Paris, a família e os filhos, para tentar se firmar como pintor, indo depois passar uma temporada no Taiti. Kiefer Sutherland e Nastassja Kinski são desperdiçados num bote sem rumo, que nada tem a ver com a estúpida chamada que se lê no DVD brasileiro.


Modigliani, Paixão pela Vida (Modigliani)
Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Romênia, Inglaterra, 2004
Diretor: Mick Davies
Mais uma cinebiografa de Modigliani, esta inferior a "Os Amantes de Montparnasse". Assim como no filme francês, este também se concentra em seu último ano de vida em Paris. Andy Garcia interpreta o pintor italiano e Elsa Zylberstein é Jeanne Hébuterne, a trágica esposa. Uma curiosidade: a atriz francesa interpretou Suzanne Valadon no filme "Lautrec". Mais um subtítulo idiota - de onde sai essa gente?


Sombras de Goya (Goya's Ghosts)
Estados Unidos, Espanha, 2006
Diretor: Milos Forman
O grande diretor tcheco, vencedor de dois Oscar ("Um Estranho no Ninho" e "Amadeus") uniu-se ao roteirista Jean-Claude Carrière para pintar um quadro sombrio da Inquisição Espanhola. Goya (Stellan Skarsgard) vê sua musa Inés (Natalie Portman) cair nas garras dos inquisidores, enquanto o padre Lorenzo (Javier Bardem) tenta usar de sua influência para libertá-la.


Klimt
Áustria, França, Alemanha, Inglaterra, 2006
Diretor: Raoul Ruiz
O diretor chileno, ainda atuante aos 70 anos, faz um retrato livre e por vezes tortuoso do pintor austríaco Gustav Klimt (1862-1918), interpretado por John Malkovich. Em seu leito de morte em um hospital, Klimt se recorda da Viena do fim do século, das exposições em Paris, de sua família e suas muitas amantes. Uma curiosidade: o filme foi concebido pelo roteirista e diretor vienense Herbet Vesely, que em 1981 realizou o filme "Exzesse" sobre Egon Schiele, contemporâneo e amigo de Klimt.


El Greco
Grécia, Espanha, Hungria, 2007
Diretor: Yannis Smaragdis
O filme mais caro da história da Grécia (6 milhões de euros) dá com os burros n'água ao optar por um formato convencional e arrastado para narrar a vida do pintor El Greco. Exibido na 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2008, a obra conseguiu ser odiada com unanimidade. Roteiro, atores, direção, trilha sonora - nada consegue ir além da mediocridade, prestando um verdadeiro desserviço à memória e à obra do grande pintor da Renascença Espanhola.


Ronda da Noite (Nightwatching)
Holanda, Canadá, Inglaterra, França, Polônia, 2007
Diretor: Peter Greenaway
O diretor britânico Peter Greenaway estudou pintura na juventude, e uma marca registrada de seus filmes são as composições inspiradas em quadros renascentistas, principalmente dos mestres flamengos. Neste filme, ele investiga o famoso quadro "Ronda da Noite", de Rembrandt, no qual o diretor acredita estarem os acusados de um crime. No ano seguinte, Greenaway faria o documentário "Rembrandt's J'Accuse...!", em que investiga mais a fundo a mesma obra do mestre holandês.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Adrian Ghenie

Hoje apresento alguns trabalhos do artista romeno Adrian Ghenie, nascido em 1977 em Baia-Mare. Ghenie formou-se pela Universidade de Arte e Design de Cluj, na Romênia, onde reside, além de possuir ateliê também em Berlim, na Alemanha.

Dada is Dead, óleo sobre tela, 200x220cm, 2009

Ghenie pinta quadros figurativos sombrios, numa paleta de cores esmaecidas, ora fazendo referências a figuras históricas da política (como o ex-ditador romeno Nicolae Ceausescu e Adolf Hitler) ou das artes (como Marcel Duchamp), ora criando composições que lembram um fotograma. Ghenie diz: "Quando eu pinto, tenho a impressão que estou dirigindo um filme. Para mim, a força do cinema está em sua capacidade de projetar uma ilusão".

The Nightmare, óleo sobre tela, 145x200cm, 2007

Apesar de fazer quadros figurativos, Ghenie busca expandir suas possibilidades através do uso da técnica e da incorporação de "acidentes" no ato de pintar: "A distribuição dos elementos é estudada com precisão na composição, mas a tinta é aplicada com liberdade, em movimentos descontrolados. A tinta óleo permite uma variedade de possibilidades técnicas, que eu tento explorar em diferentes combinações. Por exemplo, eu aplico várias cores numa espátula, depois aplico diretamente à tela, e depois esfrego com alguma coisa. Estou interessado em ver o resultado de exercícios assim".

Duchamp, óleo sobre tela, 125x105cm, 2009
Sobre os retratos de Duchamp e as referências ao Dadaísmo, Ghenie delcarou: "Eu vejo momentos históricos e personalidades das vanguardas como Duchamp com grande distância e com uma perspectiva invertida. Embora eu reconheça os efeitos libertadores produzidos pela eclosão dos movimentos de vanguarda (dos quais eu sou beneficiário), não posso deixar de notar o quanto algumas de suas ideias se impuseram com tamanha força a ponto de se tornarem canônicas".

Anxious to Jump, óleo sobre tela, 118x79cm, 2007

That Moment, óleo sobre tela, 175x230cm, 2007


Mais obras do artista podem ser vistas no site da Galeria Mihai Nicodim (link ao lado).

sábado, 16 de julho de 2011

Dance Me to the End of Love

Eu tinha um livro muito bonito com a letra desta música de Leonard Cohen e imagens de Henri Matisse. Não sei onde foi parar, após várias mudanças. Bem, recrio aqui um pouco dele:




Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Dance me to the end of love







Oh let me see your beauty 
    when the witnesses are gone
Let me feel you moving 

    like they do in Babylon
Show me slowly what I only 

    know the limits of
Dance me to the end of love






Dance me to the wedding now dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love, 
we're both of us above  
   Dance me to the end of love   




Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Dance me to the end of love

 



Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in
Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Dance me to the end of love






Clique abaixo para ouvir a canção na voz de Madeleine Peyroux:




Leonard Cohen, "Dance Me to the End of Love" ("Various Positions", Columbia Records, 1984);
Henri Matisse: 1 - "A Dança", óleo sobre tela, 260x391cm, 1910; 2, 3 - "Jazz", colagem com papel, 1947; 
4 - "A Conversação", óleo sobre tela, 177x217cm, 1909; 5 - "Nu Reclinado", lápis sobre papel, 1935.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Fotografia Erótica

Foto de Damon Loble

Muito já se discutiu sobre qual seria a linha divisória entre o erotismo e a pornografia. Algumas pessoas dizem só gostar de "nu de bom gosto", como se fosse possível estabelecer exatamente o que seria o bom gosto na representação da sexualidade humana, principalmente em seu registro fotográfico. Pretendo escrever mais adiante sobre o erotismo e a sexualidade nas artes plásticas, mas hoje quero indicar um tumblr   excelente, entre os milhares que trazem fotos de nus femininos - o Modfetish (link na barra ao lado).

Foto de J. Isobel de Lisle

Foto de Schnalli Ra
Em 1989, um museu de Washington, apoiado por congressistas, se recusou a exibir uma mostra do fotógrafo nova-iorquino Robert Mapplethorpe, sobre a alegação de que sua obra era obscena - nela havia imagens homoeróticas e sadomasoquistas. Levantou-se também a questão de que se era correto usar dinheiro público para financiar tais exibições; por outro lado, a supressão da liberdade de expressão vai contra a Primeira Emenda da Constituição americana. Até hoje essa questão não foi bem resolvida.
Ainda sobre o tema, a escritoria norte-americana Erica Jong escreveu: "Eu não sei qual é a definição de pornografia, e ninguém sabe. Pornografia é o erotismo de outra pessoa do qual você não gosta. As pessoas têm interesse na própria sexualidade e sempre a refletiram em sua arte. Fim de papo."

Foto de Katlyn Lacoste

Foto de Sinapsi

Uma coisa que se pode discutir, sem dúvida, é a qualidade artística das fotos. O Modfetish é bastante eclético nesse sentido: nele há registros de fotógrafos renomados, como Helmut Newton e Terry Richardson, e fotos de autores anônimos, algumas retiradas de sites pornôs. No entanto, ele se baseia claramente na qualidade do material - além, é claro, de sua carga erótica.

Foto de Alexey Dubinsky

Foto de Helmut Newton

O site tem uma seção hardcore chamada Modsmut - "smut" em inglês significa exatamente obscenidade. Nela, há fotos mais explícitas, inclusive da atos sexuais. Abaixo de todas as fotos há links que nos direcionam aos sites dos fotógrafos ou a outros sites de fotos eróticas.

Foto de Akif Hakan Celebi

Foto de Franklin Obregon

Mas talvez quem melhor definiu a questão tenha sido a atriz pornô e editora norte-americana Gloria Leonard: "A diferença entre uma foto pornográfica e uma foto erótica é a iluminação".