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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Facity - a Cidade dos Rostos

Yvonne, Munique, Alemanha

Em 2008, os alemães Hannes Caspar, Martin Wunderwald e Kerem Ergün criaram o site fotográfico Facity, com o propósito de fazer um grande mapeamento de rostos de forma "próxima, íntima, direta, despojada, natural e genuína". O projeto começou apenas em Berlim, e a partir de 2010 ele se estendeu para rostos de todo o mundo.

Xiao Yang, Hangzhou, China
Robert, Barcelona, Espanha

Qualquer fotógrafo pode participar, enviando sua fotos para o site. Para tal é preciso seguir algumas regras, por exemplo: o modelo deve estar em posição frontal, de olhos abertos, sem sorrir, sem roupas visíveis, sem maquiagem, o cabelo puxado para trás. Para os fotógrafos, as indicações são: luz natural, fundo claro, abertura de 2,8 com lente de 50mm, formato quadrado (mínimo de 600x600 pixels), com o mínimo de processamento.

Elisabeth, Perth, Austrália

Michal, Kuala Lumpur, Malásia

O site é atualizado diariamente, e já conta com mais de 3800 fotos de pessoas de 125 cidades ao redor do mundo, clicadas por 400 fotógrafos. Doze fotógrafos brasileiros já colaboraram, enviando fotos para o site.
É interessante navegar pelo site vendo tantos rostos diferentes, na riqueza da natureza humana. Homens, mulheres, brancos, negros, asiáticos, crianças, idosos. E na variedade de traços e etnias, acabamos reafirmando que, apesar dessas diferença, somos todos humanos.

Érico, São Paulo, Brasil


Para acessar o site, clique no link na barra ao lado.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Imagens e Visões de Fernando Rabelo

Fernando Rabelo, Mulher na Janela em Montmarte, Paris, 2005

Hoje gostaria de indicar um blog fabuloso sobre fotografia: o Images & Visions, do fotógrafo e editor brasileiro Fernando Rabelo - autor da belíssima foto acima, parte de sua série "Imagens de um Flâneur Brasileiro em Paris", cuja exposição percorreu várias cidades brasileiras em 2009.

Pierre Verger, Carnaval de Salvador, década de 1950
Maurício Lima, da série "Afeganistão Apocalipse", 2010

Fernando, além de fotógrafo brilhante, é um grande conhecedor da História da Fotografia, e desde 2007 publica diariamente fotos importantes e históricas em seu blog, sempre com informações interessantes, como as da foto abaixo, de autoria de Paul Schmulbach. Nela, vemos Marlon Brando sendo perseguido pelo fotógrafo Ron Galella, que usa um capacete de futebol americano - porque o ator o esmurrara tempos antes, deixando-com cinco dentes quebrados.

Paul Schmulbach, Nova York, 1974

Fernando nasceu em Belo Horizonte, em 1962. Durante a infância, morou no Chile e na França, durante o exílio do pai. Em Paris, fez seu primeiro curso de fotografia. Aos dezesseis anos, voltou ao Brasil, e em sua carreira trabalhou nos principais jornais, como Folha de S. Paulo e O Globo. Durante treze anos, trabalhou como fotógrafo do Jornal do Brasil, e depois como Editor de Fotografia. É autor ainda da exposição "Foco na MPB", com imagens realizadas durante toda a década de 90, e do livro "Tributo à Lagoa", que teve seis edições esgotadas.

Steve McCurry, deserto de Rajasthan, Índia, 1984

Richard Avedon, Nastassja Kinski e Serpente, 1981

Percorrendo o blog de Fernando, temos uma verdadeira aula sobre fotografia em suas principais vertentes - a jornalística e a artística - com seus principais autores, flagras de momentos históricos, registros de tragédias, perfis de políticos e retratos fabulosos, como o de Richard Avedon acima.

Werner Bischof, fotógrafos e cinegrafistas na Guerra da Coreia, 1952

O site também traz uma lista de Filmes sobre Fotógrafos, que me inspirou a fazer a minha lisa de Filmes sobre Pintores aqui no meu blog. Há três meses eu tenho o meu blog, e hoje sei que é um trabalho enorme e sem remuneração, que fazemos muitas vezes no nosso único horário livre, ou nas madrugadas. Há quatro anos Fernando Rabelo publica diariamente, sempre preocupado em passar informações corretas e informar o público. É um trabalho feito por amor à Fotografia, com total desprendimento, um verdadeiro presente para todos nós.

O link para o Images & Visions está na barra à direita da página.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Fotografia Erótica

Foto de Damon Loble

Muito já se discutiu sobre qual seria a linha divisória entre o erotismo e a pornografia. Algumas pessoas dizem só gostar de "nu de bom gosto", como se fosse possível estabelecer exatamente o que seria o bom gosto na representação da sexualidade humana, principalmente em seu registro fotográfico. Pretendo escrever mais adiante sobre o erotismo e a sexualidade nas artes plásticas, mas hoje quero indicar um tumblr   excelente, entre os milhares que trazem fotos de nus femininos - o Modfetish (link na barra ao lado).

Foto de J. Isobel de Lisle

Foto de Schnalli Ra
Em 1989, um museu de Washington, apoiado por congressistas, se recusou a exibir uma mostra do fotógrafo nova-iorquino Robert Mapplethorpe, sobre a alegação de que sua obra era obscena - nela havia imagens homoeróticas e sadomasoquistas. Levantou-se também a questão de que se era correto usar dinheiro público para financiar tais exibições; por outro lado, a supressão da liberdade de expressão vai contra a Primeira Emenda da Constituição americana. Até hoje essa questão não foi bem resolvida.
Ainda sobre o tema, a escritoria norte-americana Erica Jong escreveu: "Eu não sei qual é a definição de pornografia, e ninguém sabe. Pornografia é o erotismo de outra pessoa do qual você não gosta. As pessoas têm interesse na própria sexualidade e sempre a refletiram em sua arte. Fim de papo."

Foto de Katlyn Lacoste

Foto de Sinapsi

Uma coisa que se pode discutir, sem dúvida, é a qualidade artística das fotos. O Modfetish é bastante eclético nesse sentido: nele há registros de fotógrafos renomados, como Helmut Newton e Terry Richardson, e fotos de autores anônimos, algumas retiradas de sites pornôs. No entanto, ele se baseia claramente na qualidade do material - além, é claro, de sua carga erótica.

Foto de Alexey Dubinsky

Foto de Helmut Newton

O site tem uma seção hardcore chamada Modsmut - "smut" em inglês significa exatamente obscenidade. Nela, há fotos mais explícitas, inclusive da atos sexuais. Abaixo de todas as fotos há links que nos direcionam aos sites dos fotógrafos ou a outros sites de fotos eróticas.

Foto de Akif Hakan Celebi

Foto de Franklin Obregon

Mas talvez quem melhor definiu a questão tenha sido a atriz pornô e editora norte-americana Gloria Leonard: "A diferença entre uma foto pornográfica e uma foto erótica é a iluminação".

terça-feira, 7 de junho de 2011

Lady Gaga, Matthew Barney e o ciclo "Cremaster"

No começo de 2010, um amigo me mostrou o clipe "Bad Romance", de Lady Gaga. Até então eu nunca tinha prestado atenção nela, mas ele me assegurou: "Ela é a próxima Madonna". Achei a música legal, mas a primeira coisa que me ocorreu vendo o vídeo foi que, visualmente, ela havia sugado Matthew Barney até a última gota. Os figurinos, a ambientação, a maquiagem, as cores, as situações - tudo remetia ao ciclo de cinco filmes "Cremaster" do artista contemporâneo norte-americano, obviamente de forma diluída e empacotada para caber num clipe de cinco minutos.

Matthew Barney em "Cremaster 3"
Gaga, sendo novaiorquina e atenta a tudo que acontece à sua volta, certamente deve ter assistido aos filmes, que foram produzidos entre 1994 e 2002 e culminaram numa grande exibição no Guggenheim. Mais uma pitada de Madonna, outra de David LaChapelle - além da necessária obsessão pelo sucesso - fizeram Lady Gaga ser quem ela é hoje. Outro aspecto em comum com Barney é a sexualidade fria e explorada visualmente de forma estilizada e clínica: ele vê a sexualidade como um processo biológico e histórico ("cremaster" é um músculo que, no homem, suspende os testículos, e na mulher, recobre o ligamento redondo do útero - a partir daí Barney desenvolve inúmeras analogias e imagens que remetem aos processos de desenvolvimento e transformação do Homem); Gaga diz ter escolhido a fama à vida sexual e amorosa, ao mesmo tempo em que aparece, quase sempre seminua, numa simulação de sexualidade - a escritora Camille Paglia, que adora Madonna de forma lúbrica e não perde uma polêmica, acusou Gaga de ser "uma marionete magricela, ou um andróide plastificado" que "matou o sexo", e se pergunta: "como uma figura tão calculada e artificial, tão clínica e estranhamenrte asséptica, tão desprovida de erotismo genuíno tornou-se um ícone de sua geração?"

Aimee Mullins em "Cremaster 3"
Enquanto Gaga confessadamente almeja a fama a qualquer custo, Barney é um cara tímido e avesso aos holofotes, apesar de ter se casado com a cantora Björk, com quem tem uma filha, Isadora. De sua adolescência de esportista (ele praticava luta-livre e futebol americano) em Boise, Idaho, Barney herdou um corpo atlético e a disposição para stunts perigosos. Após trabalhar como modelo e se mudar para New Haven, Connecticut, Barney começou a estudar Arte em Yale, logo chamando atenção por sua originalidade. Seu trabalho de graduação foi um vídeo, "Field Dressing", que já continha as sementes que culminariam no ciclo "Cremaster". Em 1989, ele se muda para Nova York, chama atenção da poderosa art dealer Barbara Gladstone e inicia a produção dos filmes. O primeiro a ser lançado foi o "Cremaster 4" (eles foram feitos fora da ordem cronológica), produzido com "apenas" 200 mil dólares, e obviamente o menos sofisticado visualmente, embora já repleto de ideias originais e trazendo a famosa imagem do sátiro Loughton Candidate.

"Cremaster 4"

Eu tive a oportunidade de ver os cinco filmes em São Paulo, na Pinacoteca do Estado, em 2004. Confesso que nunca passei tantas horas sentado numa sala de exibição, mas saí confiante de ter visto uma das obras mais arrebatadoras da modorrenta arte contemporânea, onde vicejam artistas que nos oferecem um jantarzinho requentado de conceitos tresloucados e uma autorreferência pouco interessante, com muito pouca visualidade. Barney certamente possui um discurso complexo (Björk, que participou do filme "Drawing Restraint 9", honestamente afirmou não ter entendido completamente o conceito do filme do marido), mas nos oferece um banquete audiovisual. Porém, quem espera uma narrativa clara e linear estranhará os longos planos-sequência onde ações são repetidas ad infinitum, o encadeamento de cenas aparentemente sem ligação entre si e os personagens mudos e estranhos.

Ursula Andrews em "Cremaster 5"
De 1994 a 2004, Barney seguiu produzindo os filmes do ciclo, que foram se tornando verdadeiras superproduções, conforme ele dispunha de orçamentos maiores, culminando no espetacular "Cremaster 3", um épico de mais de três horas de duração - os demais têm cerca de uma hora, totalizando cerca de sete horas. Barney consegue alinhavar em seus conceitos seres mitológicos, gigantes, ninfas, o estádio de futebol em Idaho onde ele jogava, loiras platinadas, balões da Goodyear, o escritor Norman Mailer interpretando Houdini (o assassino Gary Gilmore, cuja vida é contada no livro "A Canção do Carrasco", de Mailer, é interpretado por Barney em um dos filmes), Ursula Andrews interpretando uma solitária rainha, o artista Richard Serra como o arquiteto do Chrysler Building, corridas de cavalo, óperas e por aí vai, numa cornucópia de símbolos misteriosos e situações exuberantes. Seus detratores dizem que muito pouco faz sentido e que o próprio Barney se complica ao explicar seus filmes, mas não esqueçamos que o grande Buñuel muitas vezes dizia filmar coisa que havia sonhado, sem se importar com o significado. Matthew Barney não é um artista surrealista, ele não cria suas obras valendo-se do "automatismo psíquico" preconizado por André Breton no Manifesto de 1924; ao contrário, ele é um artista cerebral que gosta de ruminar seus conceitos e planejar longamente suas obras. Não obstante, o resultado final é muito similar: uma deambulação onírica que nos deixa extasiados.

"Cremaster 5"

Em 2004, Barney veio ao Brasil produzir "De Lama Lâmina", rodado em Salvador durante o carnaval, e segue filmando a séria "Drawing Restraint". Mas se você estiver se perguntando onde pode ver esses filmes, sorry, eles jamais serão lançados comercialmente, e por um aspecto técnico da arte contemporânea: trabalhos audiovisuais são tratados como a obra em si, e suas cópias são limitadas e caríssimas (no caso dele). É como uma gravura: existe uma matriz, e um número x de cópias é impresso. Quanto menos cópias, mais caras elas são. Mas você pode ter um aperitivo no site www.cremaster.net, ou comprar o livro "The Cremaster Cycle" (tem na Amazon por 140 dólares), ou esperar para ver em algum museu, nas raras exibições ao redor do mundo...


Veja o trailer: