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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Doug Aitken

Migration, 2008

Eu confesso que raramente gosto de obras em vídeo de artistas contemporâneos. Talvez pela dificuldade em se criar algo realmente instigante, ou minimamente original, ou meramente interessante numa época em que imagens digitais em movimento fazem parte do nosso cotidiano. É preciso realmente muita criatividade para comunicar algo num meio que hoje é acessível a todos - qualquer um pode fazer um vídeo digital e editá-lo. A facilidade do meio sempre leva a maneirismos, repetições e por fim à banalização. Obviamente há exceções, e um dos artistas contemporâneos mais criativos que conheço é o norte-americano Doug Aitken.

Text Sculpture, vários materiais, 2008-2011
Aikten nasceu em 1968, em Redondo Beach, na Califórnia. Formou-se em 1991 pela Art Center College of Design, em Pasadena. Através dos anos, construiu uma obra sólida e quase sempre brilhante com vídeos, instalações, performances, site specific, esculturas. Expôs e possui obras nos melhores museus e galerias do mundo, e em 2009 construiu um "pavilhão sonoro" (Sonic Pavillion) no centro cultural de Inhotim, em Minas Gerais: do centro de uma redoma no meio da mata, microfones de alta sensibilidade foram colocados a 200 metros de profundidade, fazendo ecoar no interior da construção os sons das entranhas da Terra.

Sonic Pavillion (projeto e obra acabada), Inhotim, 2009

O artista norte-americano frequentemente cria ambientações com várias telas, projeções, performances e atenção especial à música. No belíssimo trabalho Sleeepwalkers ("Sonâmbulos"), com participação dos atores Donald Sutherland e Tilda Swinton e dos músicos Seu Jorge e Cat Power, cinco vídeos foram projetados nas paredes externas do Museu of Modern Art (MoMA) de Nova York, visíveis da rua. Do lado de dentro, um "happening" (conforme ele gosta de chamar, à moda de Allan Kaprow nos anos 60, ao invés de "performance") com percusssionistas, leiloeiros e uma apresentação de Cat Power. Trechos em vídeo podem ser vistos no site do artista (link ao lado).

Sleepwalkers, 2007
O tema central da obra de Aitken é o sentimento de inadequação e deslocamento do Homem no mundo atual. Para tal efeito, uma de suas obras mais pungentes inverte os papéis, colocando animais selvagens em interiores e quartos de hotel: os vídeos de Migration (2008, trechos no site do artista). Impossível não concluir, vendo as belíssimas imagens, o quanto temos em comum com a Natureza encarcerada e domesticada, literal ou figurativamente. Nesses momentos, a obra de Aitken é profundamente eloquente e plasticamente rigorosa - o que o coloca a milhas de distância de grande parte da produção em vídeo da atualidade.

Migration, 2008

Vale a pena percorrer o site do artista, com fotos e trechos de seus principais trabalhos - embora nada se compare à experiência de ver suas projeções e "happenings" ao vivo.




Doug Aitken, em foto de Aubrey Mayer

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Loretta Lux

At the Window, 2004

Loretta Lux nasceu em 1969, em Dresden, então Alemanha Oriental. Estudou pintura e formou-se pela Academia de Artes Visuais de Munique, começando a experimentar com fotografia em 1999. Em sua juventude, constantemente visitava museus, onde admirava obras de mestres como Diego Velázquez, Agnolo Bronzino, Francisco de Goya, Caspar David Friedrich e Philipp Otto Rung - obras que acabaram influenciando o tratamento que Lux dá a seus retratos fotográficos de crianças.

The Walk, 2004
The Fish, 2003

A primeira impressão que seu trabalho dá é a de que, apesar de ser fotografia, ele está no limite entre esta e a pintura. A própria artista admite que, sem a sua formação como pintora, ela não conseguiria chegar ao resultado obtido em suas imagens. Sobre a transição de um meio a outro, ela diz: "Eu não gostava do aspecto físico da pintura, mexer com pigmentos, óleo e terebintina. Agora eu uso a câmera como uma ferramenta, abordando a pintura de uma nova perspectiva".

The Blue Dress, 2001
The Drummer, 2004

Na verdade, o trabalho de Lux também envolve pintura - alguns fundos são literalmente pintados por ela. O processo de tratamento da imagem, embora essencialmente digital, exige meses de trabalho, e ela produz apenas de cinco a sete obras por ano. Diz a artista: "Eu organizo formas e cores ao conceber a imagem e ao trabalhar no computador, igual a um pintor trabalhando numa tela". Mesmo especialistas em software para tratamento de imagens têm certa dificuldade em estabelecer exatamente o que a fotógrafa alemã faz.

Girl with Marbles, 2005
Dorothea, 2005

Se é verdade que as crianças habitam seu próprio mundo, Loretta Lux foi bem sucedida em apreender a estranheza do universo infantil.Críticos já usaram toda sorte de adjetivos para descrever essas crianças - de absortas a sinistras. Lux insiste que suas imagens não retratam a criança que posou, mas qualquer criança: uma metáfora para a ideia de infância. Um simulacro, talvez. A artista constrói, manipula e modifica seus retratados para que, conforme ela deseja, cada um veja o que quiser ver.

Paulin, 2002
Siegfried, 2010

Em 2005, Lux recebeu o Infinity Award for Art do prestigioso International Center of Photography. Após morar alguns anos em Dublin, na Irlanda, a artista mudou-se para Mônaco, onde vive até hoje, para fugir dos altos impostos.




Loretta Lux


Para ver toda a obra de Loretta Lux, veja o site da artista no link ao lado.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Evgen Bavcar

"Liubliana com o Dragão"

Anos atrás eu vi em São Paulo uma exposição do fotógrafo e filósofo esloveno Evgen Bavcar (lê-se "óiguen"), e assisti a um documentário sobre sua vida e obra, com a presença do artista, que possui uma característica ímpar em um fotógrafo: ele é completamente cego.

"Bicicleta com Andorinhas"

Bavcar nasceu em 1946, numa pequena cidade eslovena perto de Trieste. Aos 12 anos perdeu a visão, incrivelmente, em dois acidentes diferentes: um olho foi perfurado por um galho de árvore, o outro foi afetado por um detonador de minas. Ele conta: "Eu não fiquei cego imediatamente; foi aos poucos. Durou meses, como um lento adeus à luz. Então eu tive que correr para captar as coisas mais belas, imagens de livros, cores e fenômenos celestes, e levá-las comigo numa viagem sem volta".

"Nu com Andorinhas"

"Retrato com Mãos"

Aos 17 anos, pegou da irmã uma máquina fotográfica russa Zorki 6, simples e barata, para fotografar uma menina da escola por quem era apaixonado. Diz ele: "O prazer que eu senti ao tirar a minha primeira foto foi o de ter roubado e captado em filme algo que não me pertencia. Foi a descoberta secreta de que eu poderia possuir algo que não posso ver".

"Hanna Schygulla"

"Véronique e o Pato"

Evgen Bavcar fotografa, a priori, a memória. Um portão por onde passava na infância, as andorinhas de sua cidade natal, casas, monumentos, a atriz alemã Hanna Schygulla (que virou sua amiga). Auxiliado pela irmã, frequentemente usa a técnica da superposição, o que confere às imagens um caráter onírico. Sobre essas imagens, ele revela: "Eu tenho uma galeria pessoal mas, infelizmente, só eu posso visitá-la. Os outros podem entrar nela através das minhas fotografias. Mas elas não são mais originais. São apenas reproduções".

"Máscaras em Veneza"

"Genebra com a Águia"

Atualmente morando em Paris, Bavcar é doutor em História, Filosofia e Estética pela Universidade de Sorbonne. Sobre a imagem que abre este post, ele explica: "O dragão é o símbolo de Liubliana, a capital da Eslovênia. O dragão é um símbolo da noite; na mitologia, é o símbolo da força da Escuridão. Quando São Jorge vence o dragão, ele também vence a Escuridão. (...) Para mim, as cidades da Europa existem à noite, mas é muito difícil tirar fotos à noite, porque as cidades são iluminadas demais. As pessoas têm medo do escuro".



Evgen Bavcar


Para ver mais obras de Evgen Bavcar, clique no link ao lado. Veja abaixo o trecho (legendado em português) dedicado a ele em "Janela da Alma", documentário de 2001 dirigido por João Jardim e Walter Carvalho:

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Larry Clark e a Censura

Billy Mann, do livro "Tulsa", 1971

No dia 22 último, eu publiquei um post sobre Nan Goldin. Dias depois, a curadora Ligia Canongia veio a público informar que a diretoria e o curador da Oi Futuro (instituto "cultural" da empresa de telefonia) haviam censurado a exposição da fotógrafa norte-americana, que Ligia organizava havia dois anos. Imediatamente me lembrei da polêmica em torno de Robert Mapplethorpe na década de 80, e mais um fotógrafo me veio à mente: Larry Clark, que teve sua exposição Kiss the Past Hello no Museu de Arte Moderna de Paris censurada para menores de 18 anos em outubro de 2010, por conter imagens impróprias. Detalhe: a censura foi decidida pelo prefeito socialista Bertrand Delanoë, o que torna a coisa ainda mais incomum.

Untitled, do livro "Tulsa", 1971

Larry Clark nasceu em 1943 em Tulsa, no estado de Oklahoma. Sua mãe fotografava bebês como profissão, e Larry começou a ajudá-la no negócio aos 13 anos de idade. Era a América do pós-Guerra, onde o "sonho" propagandeado pelo governo não encontrava reflexo da realidade, e onde os subúrbios escondiam uma classe média empobrecida, embrutecida e sem futuro. Clark, já na adolescência, começou a tomar anfetamina com os amigos.

Skip Tapping Vein, do livro "Tulsa", 1971

De 1963 a 1971, ele fotografou muitos desses personagens com uma crudeza perturbadora. Assim como Nan Goldin, sua foto não busca um ideal estético, mas o registro da realidade à sua volta. Em 64, Clark mudou-se para Nova York para trabalhar como fotógrafo freelancer, mas dois meses depois foi convocado para a Guerra do Vietnã. Em 71, publicou o livro Tulsa, um marco na história da fotografia norte-americana do Século 20, cujas imagens ilustram este post. No prefácio, ele escreveu: "Eu nasci em Oklahoma em 1943. Aos 16 anos, comecei a injetar anfetamina. Eu me injetei todos os dias durante três anos, depois fui embora da cidade, mas voltei nos anos seguintes. Quando a agulha entra, ela jamais sai".

Untitled, do livro "Tulsa", 1971

A experiência de Tulsa marcou e definiu o trabalho de Clark (alguns dizem que ela o aprisionou): a adolescência perdida para as drogas e a violência. Em 1983, publica o livro Teenage Lust, onde já não retrata a sua juventude, mas a juventude alheia, acrescentando um outro elemento ao seu universo: o sexo. Em 1995, lança-se como cineasta, roteirizando e dirigindo o longa-metragem Kids, onde escancarou o problema da AIDS entre os jovens e chocou o mundo com cenas explícitas de sexo. Depois vieram os filmes Bully (2001), Ken Park (2002), e Wassup Rockers (2005), além de filmes para TV e curtas.

Untitled, do livro "Tulsa", 1971

Sobre a polêmica da exposição em Paris, Clark afirmou: "Essa proibição foi um ataque à juventude. Estas fotos são para eles. Proibir pessoas de 16, 17 anos de vir aqui e ver a si próprios é ridículo. O que vamos sugerir que eles façam ao invés de vir ao museu? Que fiquem em casa onde, na Internet, eles podem ver pornografia e imagens da sarjeta?"



Larry Clark

Para ver todas as imagens do livro "Tulsa", clique no link na barra ao lado.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Nan Goldin

Kate Moss on a Horse like Lady Godiva, 2001
A foto acima é uma das mais belas que eu já vi, mas ela absolutamente não é a mais característica do trabalho de Nan Goldin. Só a coloquei porque não resisti. Quando pensamos em Nan Goldin, imaginamos logo camas desfeitas, corpos nus e abandonados, um cigarro, um copo de uísque, uma seringa talvez. Lady Godiva é uma exceção em seu léxico.

Nan and Brian in bed, NYC, 1983

Nancy "Nan" Goldin nasceu em 12 de setembro de 1953, em Washington, D.C., numa família judia de classe média. Seu mundo sofreu um forte abalo em 1965, quando a sua irmã Barbara, aos 19 anos, após inúmeros problemas com rapazes e confusa sobre a própria sexualidade,  cometeu suicídio deitando-se na linha do trem. Diz Goldin: "O psiquiatra da minha irmã disse que eu ficaria como ela. Eu pensei que cometeria suicídio aos 18 anos. Eu saí de casa aos 14 anos, e encontrei uma família. As drogas me libertaram. E depois viraram a minha prisão".

Rise and Monty on the Lounge Chair, NYC, 1988
Aos 15 anos, Goldin começa a se interessar por fotografia, e aos 20 faz sua primeira exposição, em Boston, onde já mostra os temas que lhe seriam mais caros: a comunidade gay e transexual da cidade, apresentada a ela pelo amigo David Armstrong, também fotógrafo. Em 1978, forma-se pela Escola do Museu de Belas Artes de Boston e decide se mudar para Nova York. Nan é romântica, insegura, autodestrutiva, talentosa e tem 25 anos, e Nova York está fervendo com a cena punk. O fogo encontra a gasolina.

Simon and Jessica in the Shower, Paris, 2001

Seu tema principal sempre foi o mundo imediatamente à sua volta: seus amigos, seus amores, suas noitadas, sua bissexualidade, seus excessos, sua solidão. Ela fotografa as pessoas com voracidade. Logo esse séquito se vê assombrado pelo fantasma da AIDS. Nos anos seguintes, seus amigos e amantes caem mortos como moscas. Diz Goldin: "Eu pensava que não iria perder as pessoas se as fotografasse bastante. Na verdade, as fotos só mostram o quanto eu perdi".

Gotscho kissing Giles, Paris, 1993

Já em 1979, Goldin inicia uma espécie de diário fotográfico chamado "The Ballad of Sexual Dependency", que chegou a centenas de imagens e foi lançado como um livro em 1986. Na década de 90, as suas imagens viraram icônicas, o seu estilo passou a ser copiado por fotógrafos e revistas de moda do mundo todo - o que deu origem ao termo heroin chic - que ela detesta. Em 1996, ela ganhou uma restrospectiva no Whitney Museum de Nova York, e em 2002 ganhou outra, no Georges Pompidou, em Paris. Em 2006, criou o vídeo Sisters, Saints & Sybils, onde tenta exorcizar o fantasma da irmã morta. A dor em Nan Goldin é real, e ela é, acima de tudo, uma sobrevivente.

Self-Portrait in the Mirror, Hotel Baur, Zürich, 1998


Veja o documentário "I'll Be Your Mirror" de Nan Goldin e Edmund Coulthard (em quatro partes, sem legendas em português):

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Hugo Tillman

Film Stills of the Mind (Ai Weiwei), 2007

Em 2004, enquanto eu expunha em Miami, conheci o fotógrafo inglês Hugo Tillman, que era representado pela mesma galeria que eu. Nascido em Londres, em 1973, de familia rica, e radicado em Nova York, Hugo sobrevivia fazendo fotografia de moda - a contragosto - enquanto desenvolvia seu trabalho artístico. Meses depois, ele me visitou em São Paulo com a namorada (eu ofereci o meu apartamento, mas ele preferiu ficar num hotel decrépito no centro), e eu o levei a alguns museus. Ele pareceu menos interessado na arte brasileira do que na paisagem humana à sua volta.

Upper Class (Mrs. William Cluet), 2006

Upper Class (Gilbert Kahn and John Noffot), 2006

Na época, ele desenvolvia uma série intitulada Upper Class. Valendo-se de sua intimidade com os ricos, fazia retratos supostamente lisonjeiros, quando na verdade criava uma caricatura grotesca dos stinking rich de sangue azul. Nos anos seguintes, perdemos o contato, e agora fazendo minhas pesquisas tive o prazer de descobrir que Hugo percorreu um longo caminho - não sem dor - e encontrou a sua melhor expressão, delineando ao mesmo tempo um panorama da efervescente arte contemporânea chinesa.

Film Stills of the Mind (Jiang Jie), 2007
Film Stills of the Mind (Yu Hong), 2007

Em 2005, ele foi diagnosticado com transtorno bipolar. Diz Hugo: "Eram pequenos desequilíbrios em meu cérebro, resultado de uma vida de altos e baixos dramáticos, onde eu muitas vezes me encontrava sem dinheiro, num hotel barato de um país estrangeiro, com uma ressaca terrível. O meu diagnóstico foi um alívio, para dizer o mínimo, e eu decidi criar um projeto baseado em minha experiência com a psicanálise. Como o meu trabalho lida muitas vezes com a infiltração em subculturas, eu decidi procurar por empatia numa cultura sobre a qual eu fosse completamente ignorante, num esforço de criar um laço cultural através da experiência comum e da compaixão".

Film Stills of the Mind (Zhang Xiaotao), 2007
Ele continua: "Eu escolhi o mundo da arte contemporânea chinesa. Então eu hipotequei a minha casa e fui para Pequim, sem saber como eu alcançaria o meu objetivo sem conhecer a cidade ou as pessoas. Logo eu percebi que o mundo das artes em Pequim era incrivelmente aberto, sem as amarras de veludo metafóricas que você encontra no círculo das artes nos Estados Unidos e na Europa. Então eu criei a série Film Stills of the Mind em colaboração com os principais artistas chineses atuais".

Film Stills of the Mind (Li Dafang), 2007

Durante dois anos, Hugo viveu entre Pequim, Xangai, Guangzhou e Hangzhou, entrevistando artistas como Ai Weiwei, preso em abril deste ano por suposta evasão fiscal - especula-se que o real motivo tenha sido sua aberta oposição ao Partido Comunista da China (PCCh). Weiwei ficou 81 dias preso e agora terá que pagar uma multa de US$ 2,3 milhões ao governo chinês. Esses depoimentos podem ser ouvidos no site do artista (link ao lado), na seção Maplap, em inglês, italiano ou chinês. Diz Hugo: "Este trabalho começa a dar forma a uma relação autônoma que está se desenvolvendo organicamente entre mim e minha geração e a China. Foi a primeira de, espero, muitas incursões à China, com os artistas chineses falando o que pensam".

Daydreams of Mine (The Old Man and...), 2008

Em 2008, Hugo passou seis dias em Havana, fazendo intevenções e fotografando, com apoio do governo cubano. São composições encenadas, algo surreais, seu "pequeno ponto de vista dessa cidade de contrastes". Ao mesmo tempo, termina o seu curso de Filosofia pela Universidade de Oxford. Entre os bairros mais ricos de Nova York e Londres e os mais depauperados de Pequim ou Havana, Hugo segue tentando compreender a dimensão humana do nosso mundo, para, em última instância, compreender a si mesmo.



Hugo Tillman

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Ryan McGinley

India (Coyote), 2010

O fotógrafo Ryan McGinley nasceu em 1977 em Ramsey, New Jersey. Em 2003, aos 26 anos de idade, foi o artista mais jovem a ter uma exposição individual no prestigioso Whitney Museum of American Art, em Nova York, onde ele atualmente reside.

Alex & Frog, 2010
Laura (Thunderstorm), 2007

O mais novo de oito irmãos, McGinley mudou-se para o East Village em 1998, onde fez amizade com skatistas, grafiteiros, músicos e artistas, e cobriu as paredes de seu apartamento com Polaroids de todos que iam à sua casa. A partir daí, virou uma espécie de retratista da juventude, mas com um diferença crucial que o afastou da maioria dos artistas de sua geração: ele não aceitou a imagem que as revistas de moda faziam de seus pares - aquela dos junkies esquálidos e depressivos, talvez por excesso de tempo livre e falta de propósitos. O que McGinley via em seus amigos era o oposto.

Tracy, Jasper, Julia, 2010
Mari, Janelle, Jonas, 2010

Em 2000, McGinley fez sua primeira exposição, e em 2002 publicou um livro de fotos independente intitulado "The Kids Are Alright" (título de uma música do The Who), que chegou às mãos de Sylvia Wolf, curadora de fotografia do Whitney, que não tardou a colocar as fotos do jovem artista nas paredes do museu.

Somewhere Place, 2011
Jake (Fall Foliage), 2011

Diz Wolf: "As pessoas se apaixonam pelo trabalho de McGinley porque ele fala de libertação e hedonismo. Onde Nan Goldin e Larry Clark falavam de coisas dolorosas e que geravam ansiedade sobre os jovens e o que acontece quando eles tomam drogas e fazem sexo num submundo urbano descontrolado, McGinley já começou afirmando que 'a moçada está bem'; o que é fantástico, e sugere que uma subcultura alegre e desembaraçada estava surgindo - se você soubesse onde procurá-la".

Midnight Flight, 2011
Jonas (Barn Snow Disco), 2008

Segundo o crítico Jeffrey Kluger, da Time Magazine, "A fotografia congela um instante no tempo; as imagens de McGinley congelam uma fase da vida. A juventude e a beleza são tão passageiras quanto um clique de uma câmera - e por isso mesmo merecem ser preservadas".


Ryan McGinley



Para acessar o site do fotógrafo, com fotografias de diversas séries, clique no link da barra ao lado